NELISE OMETTO, ceramista, escultora e pintora / a brazilian ceramist, sculptor and painter

Nelise Ometto
Por Jacob Klintowitz

A vida das formas

Por um momento parece que Nelise Ometto trabalha com o micro-universo, com alguma coisa tão infinitamente delicada, que só ela percebe e faz emergir. Essência. E, no entanto, este que nos figura ponto inicial se revela completo cosmo, enovelando a nossa percepção de galáxias e caminhos estelares. As diferenças entre micro e macro são circunscritas ao entorno e ausentes de sua obra.

Registro no diário de bordo: galáxias, infinitos, geometria sagrada, ponto alfa, ovo celeste, luz e sombra, reunidos como folhas e frutos, gerando uma árvore da vida.

Ao compor com símbolos ancestrais uma vasta galeria de significações, a artista Nelise Ometto cria uma cosmologia particular e uma cartografia cósmica. O seu trabalho têm sido o de identificar, aproximar, juntar e acumular. Reitera a imagem. Organiza a retórica de um universo que se dobra sobre si mesmo. E, tudo nos conduz para o momento em que este ponto de concentração se expandirá em universos independentes.

Hoje esta energia acumulada nos aparece como magnificência e esplendor. Estamos diante do manto estelar, do caminho das estrelas, da cartografia celeste, do mapa dos navegantes, do leite de luz derramado. É o Manto de Isis a envolver e proteger o nosso universo. Cada uma destas pequenas formas, juntas num renascido Jardim do Éden, terá vida própria e se constituirá em novo recomeço. A artista pesquisou e elaborou um formidável acervo de mandalas e imagens espirituais simbólicas e tratou este tesouro com a precisão e modéstia do lapidador. Mas, nestas formas, a luz já se expande, refrata e encandeia o nosso olhar.

O silêncio que emana destas pulsões de vida — anotações cotidianas da percepção, vestígios do sentimento poético — aponta para a sua integridade. A longa escuta.

Mais do que a combinação de materiais e técnicas, do diálogo de diversas linguagens, a reiteração, a retórica, a acumulação é o método desta artista. No caso, de Nelise Ometto não uma junção aleatória de materiais, mas a aproximação de sensações e afinidades eletivas. Como se as suas formas se impregnassem de intuições e estas se depositassem lentamente, umas sobre as outras, suaves e permanentes. Sinais luminosos a nos apresentar, na fimbria, um aspecto da glória coruscante do inimaginável.

Colocar-se na totalidade é afastar certas referências, tais como grande e pequeno, perto e longe, alto e baixo, rápido e vagaroso. Nelise Ometto tem todo o tempo do mundo, justamente porque está fora do tempo. O conceito desta verificação, acervo de essências, que distraidamente a artista coloca diante de nós, situa-se no centro da ancestral idéia de retração e expansão, aparências da respiração do mundo. O ser e diagramas da harmonia.

Este é o momento do encontro da artista com a sua iconografia, o reconhecimento de sua própria voz. Existe na sua arca a matéria-prima para uma jornada em direção a si mesmo. A expansão do movimento que nada mais é do que o outro aspecto da imagem. Não é difícil ver o ponto futuro para onde tendem estas formas. Mas é mais rico contemplarmos este ninho primordial, ovo celeste, capaz de equilibrar a tensão criadora da percepção e do formalizar.

Jacob Klintowitz
2007

Nelise Ometto
Por Fabíola Bergamo

A paulista Nelise Ometto teve contato com a cerâmica no início dos anos oitenta, quando frequentou o atelier do artista plástico e ceramista Megume Yuasa. Foram seis anos de convivência e aprendizado, em que conquistou todas as técnicas necessárias para explorar o material: modelagem, secagem, esmaltação, queima e principalmente, o aprendizado para lidar com a paixão, o desafio e a frustração do trabalho com a argila, exercitando o olhar e a crítica em relação aos resultados alcançados.

No início, a criação era puramente artística, peças únicas, totens, esculturas, murais e instaIações. Mas já nos anos noventa teve início a fase das cerâmicas utilitárias, que hoje somam mais de duzentos itens produzidos em seu atelier com o apoio de seis funcionários por ela capacitados para total qualidade das peças.

Observando as várias fases da obra de Nelise Ometto, podemos perceber um ciclo que parte da expressão artística para os utilitários, e deles, novamente, para a mais pura arte. Cada vez que este ciclo se repete, há um acréscimo qualitativo e a simbiose acontece.

Seus elementos se decompoem e se transformam em objetos de complementação para depois transferirem sua beleza artística aos próprios utilitários.

Desta vez, a inquietação da ceramista promove a volta às artes por meio das telas e objetos aqui apresentados.

São pinturas construídas pela repetição de grafismos, que aliados a elementos cerâmicos, compoem estruturas de cor e movimento. O tema central é sempre a natureza, com troncos e copas de árvores retratados sob diversos ângulos. E muito mais que isso, mantendo o ciclo de criação da ceramista em permanente renascimento.

Texto: Fabíola Bergamo
Revista KASA, nº 36 / 2006
By Fabíola Bergamo, KASA magazine nº 36/2006

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